Ressignificar a Vida

   

 

 

                    Hoje se tem falado muito em ressignificar a vida, com isso dando um novo significado a determinados momentos.

                    Entretanto, observo que muitas vezes isso é feito de maneira errônea, isto é, procura-se imaginar a situação vivida de maneira diferente do que ocorreu. Por exemplo: quando eu era pequena minha mãe me deu uma bronca porque quebrei um determinado objeto dela. Aí imagino que minha mãe não me deu a tal bronca e sim que me disse que aquilo não tinha importância.

                    Fato é fato e pronto!

                    Não devemos criar o que não existe ou não existiu.

                    Então o ressignificar neste caso seria eu compreender a bronca que minha mãe me deu; entender que como criança aquilo parecia injusto e/ou assustador, mas hoje posso entender de uma maneira menos traumática. Posso até chegar a concluir que eu teria feito a mesma coisa em seu lugar. Portanto, a "mãe bruxa" passa a ser apenas a mãe humana.

                    É interessante perceber o quanto o ser humano perde contato com sua natureza humana, e busca ser divino, perfeito e não humano. Com isso torna-se muito sério, crítico, exigente e insatisfeito. Decepciona-se com tudo e com todos, esquecendo-se que essa decepção é resultado de sua mente ter criado ilusões a respeito do outro ou de uma situação.

                    Perdemos a leveza no viver.

                    Por isso, levanto uma nova bandeira em pró de permitirmos que nossa "criança interior" possa vir à tona do abismo escuro que lhe impusemos. Daremos assim um novo significado à nossa existência se a acalentarmos novamente. Não digo que voltemos a ser a criança que um dia fomos, mas para resgatar aquela energia forte, leve, alegre, ousada e persistente em seus sonhos.

                    Lembro-me da música "Bola de Meia, Bola de Gude", cantada pelo 14 Bis:

Bola de Meia, Bola de Gude

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão
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Esta letra foi retirada do site:  www.letras.mus.br

                    Esta letra e mesmo seu ritmo revelam o que temos em nós, o que devemos buscar para que possamos viver de maneira mais natural, com maior contentamento. 

                    "Toda vez que o adulto balança....., que a bruxa me assombra..... , que a tristeza me alcança....., que o adulto fraqueja.... Temos aqui as dores humanas mais frequentes: a dúvida, o medo, a tristeza e perder as forças, e, nestes momentos, se deixarmos o menino ou a menina fluírem em nós, veremos que tudo será mais fácil  pois a "criança interior" segue a verdade, isto é, a verdade de cada um de nós. Ela revela o que queremos de verdade, o que sentimos de verdade e aceita tudo isto sem culpa, sem julgamento. Ela nos mostra o que o nosso coração deseja.

                    Portanto, dê um ressignificado à sua vida. Permita-se viver a "criança interior". Procure momentos de descontração dentro do seu dia-a-dia. Procure ter qualidade de vida e isso não quer dizer alimentar-se de maneira saudável e praticar exercícios. Qualidade de vida e divertir-se, é buscar o prazer nas pequenas coisas, e ter pequenos sonhos e realizá-los.

                    Faça uma pausa no seu dia, apenas uma pequena pausa para descontrair fazendo alguma coisa que lhe dê prazer. Acostume-se a se dar um tempo para ouvir uma música bem alegre; entre numa loja de miudezas e olhe tudo que ela tem a oferecer; ao fazer as compras de mercado, vá sem pressa e olhe todas as prateleiras; pare para conversar com um vizinho ou conhecido na rua; observe um animal dormindo ou brincando; olhe para o céu e veja os desenhos formados pelas nuvens; vá a uma loja de automóveis e faça um "test drive"; tome chuva; dance; ande de bicicleta; pinte; pratique um esporte, etc., mas só faça aquilo que realmente lhe der prazer em fazer. Nada de obrigações nestes momentos.

                    Ressignifique sua maneira de viver! Ressignifique seu passado para que ele não seja tão amargo! Lembre-se: quando se fala em "mudança de paradigma" ou em "ressignificar" fala-se em mudar a maneira de olhar, de encarar uma situação passada ou presente.