Somatização X Reação: como diferenciá-las?

 

 

              Olá! Vamos a mais um texto que responde a questões do cotidiano.

 

        Hoje, alguém me falou que em uma saída com amigos percebeu tantas coisas desagradáveis e inaceitáveis que ficou irritado e com enjoo. E, em seguida, me disse: “Eu somatizei”. Expliquei-lhe, então, a diferença entre somatizar e reagir.

 

            Somatizar é fazer com que seu corpo expresse sentimentos que estão no nível inconsciente. Quando sabemos o que nos faz mal, não estamos somatizando, mas sim reagindo a eventos ou sentimentos dos quais estamos plenamente conscientes.

 

            Por exemplo: se vejo um animal sendo agredido maldosamente, meu coração irá se acelerar, posso tremer e ficar irada. A aceleração cardíaca e o tremor serão reações involuntárias geradas por meu sistema nervoso autônomo simpático diante do que estou vendo, enquanto a ira é a minha reação emocional à cena. Todo esse processo é consciente, eu sei o que sinto e por quê sinto, porém, não tenho controle ou domínio sobre minhas reações fisiológicas.

 

          Entretanto, se estou assistindo a um filme leve, sem grande impacto, e de repente começo a sentir uma angústia, o coração acelerado, dificuldade para respirar e vontade de sair do cinema, isso pode ser uma somatização. Ou seja, algo no filme me tocou de maneira inconsciente, ativou algum ponto da minha memória, mas sem se tornar consciente – eu não sei o que foi ativado. Digo que pode ser uma somatização visto que tais sensações também podem ser sinais de alguma doença.  

 

          Vale ressaltar que a somatização é um sintoma de que em nosso inconsciente estamos guardando fatos, sentimentos ou sonhos - seja porque nos envergonharíamos deles se viessem à tona, por não aceitá-los, por sabê-los discordantes dos ditames socioculturais ou simplesmente por não querermos viver aquilo que realmente nos compete. 

 

          Então, devemos ficar atentos a essa questão: nem tudo que sentimos é uma forma de somatização, pois pode ser uma reação natural de nosso organismo e, por isso, não é uma patologia.

       Nosso inconsciente trabalha no sentido de nos levar à individuação, ou seja, sermos aquilo que realmente estamos designados interiormente a ser, a nos tornarmos indivíduos certamente únicos. E quando ele tem oportunidade, ele se faz presente, revelando-nos a nós mesmos.

             Até o próximo!

Maio de 2010.