O Valor das Frustrações

 

 

                        Neste momento a humanidade vive uma busca de felicidade, prosperidade, autoestima, tão vinculada às práticas de autoajuda, ou de seitas, ou de cultos e filosofias que pregam uma vida ou existência sem dor. Parece-me o mesmo princípio da imersão no mundo das drogas onde se deseja que tudo seja lindo, perfeito e calmo. Isso não é real, isso não é a realidade.

                        Tem-se observado que a nova geração, que se encontra na faixa etárias dos 16 aos 30 anos, em sua grande maioria, não sabe o que fazer: que curso acadêmico se inscrever; em que trabalhar: como resolver pequenos problemas e dificuldades: como passar o seu tempo, e, como não depender de alguém, principalmente dos pais. Parecem vegetais em estufas protegidas (a família, o lar). Digo vegetais, pois não há floração (criatividade, produtividade).

                        Mas como chegaram a este ponto?

                        Bem, esta é a geração da ausência de dor. As famílias não permitem que suas crianças sofram, se frustrem, aprendam a lutar pela vida. Os pais realizam os sonhos de seus filhos e até mesmo sonham por eles. Fazem as pesquisas escolares, os deveres de casa e não aceitam o fato de que seus filhos são criaturas belas, mas ignorantes, que não desenvolveram o raciocínio, a expressão verbal e o comportamento sociável, e, que vieram ao mundo para pertencer ao mundo e não tão somente aos seus pais.

                        Entendam que o sofrimento, a dor das frustrações e das perdas (pessoal, são perdas mesmo – substantivo feminino -- e não percas – presente do subjuntivo -- como se tem usado muito atualmente), são necessários para se desenvolver a estrutura da personalidade e do caráter de maneira mais eficiente e adequada.

                        Os nossos jovens estão doentes! Preocupam-se em ter um corpo esquelético, em dormir a maior parte do dia para durante a madrugada caírem na rede mundial; perderam o respeito por si mesmos e por sua privacidade expondo-se na rede; não demonstram compromisso com suas tarefas; transformaram seus pais em escravos de seus desejos; não respeitam a privacidade dos outros “acionando” seus celulares em qualquer local e a qualquer hora e só sabem dizer que “a vida não tem graça”. Será que eles só estão vivos para poder morrer?!?

                        Não se vê mais um rosto jovem irradiando energia, alegria e leveza, mas sim rostos que mais parecem máscaras de cores pálidas e sem expressão.

                        Então, que tal propiciarmos maiores chances de nossos filhos se tornarem mais maduros, mais responsáveis, mais dignos de respeito e perceberem que o mundo pode ter suas facetas terríveis, mas que mesmo assim viver tem sentido.

                        Para tanto, teremos que abandonar a necessidade de sermos apenas amados por nossos filhos e realmente educá-los para o mundo. Em outros momentos da história, os pais não tinham como preocupação primordial serem amados pelos filhos e, por isso, ensinavam respeito, limites, responsabilidades sem receio de que os filhos deixassem de amá-los. Era seu dever proteger e educar. Hoje só temos o protecionismo irresponsável.

 

Fevereiro de 2010