O ENFOQUE SIMBÓLICO DOS TRANSTORNOS ALIMENTARES: UMA CONTRIBUIÇÃO DA PSICOLOGIA ANALÍTICA
 
Não esqueça que não posso ver a mim mesmo, que meu papel é limitado a ser aquele que olha o espelho. (Poeta francês Jacques Rigaut)
 
Podemos afirmar que os primeiros passos da Psicologia foram dados nos hospitais psiquiátricos e depois deslocados para os consultórios, onde até alguns anos atrás assim permaneceram com maior ênfase. Há pouco mais de duas décadas, no Brasil, a Psicologia retorna ao modelo hospitalar por perceber a lacuna que havia se formado. No entanto, não retornou aos hospitais psiquiátricos, pois por lá encontrava seu espaço, mas passou a integrar os hospitais gerais e serviços de saúde proporcionando um atendimento integrado com a medicina em geral.Para Jung (1986b) a psiquiatria era o lugar comum dos aspectos biológicos e dos espirituais, o lugar em que o encontro da natureza e do espírito se tornava realidade. Esta é uma compreensão que se pode ter da psicologia.Portanto, sabe-se que o indivíduo é formado por mente e corpo e a desarmonia entre essas duas instâncias provocam os estados de adoecimento em ambas. Quando um indivíduo doente busca os recursos médicos observando sua doença apenas como derivada de sua condição física obtém, nos serviços de saúde, a oportunidade de integrar ao tratamento o aspecto psicológico não menos importante para o seu processo de tratamento e de cura, tendo a oportunidade de trabalhar os aspectos simbólicos inerentes ao seu quadro clínico e, muitas vezes, como nos casos dos transtornos alimentares, tornarem-se conscientes de que o fator psicológico está subjacente ao quadro clínico – obesidade ou anorexia/bulimia, e é deste que se origina. Por isso, é de grande importância uma equipe multiprofissional no atendimento destes casos.
 
Esta é a introdução do meu capítulo no livro "JUNG & SAÚDE - TEMAS CONTEMPORÂNEOS", tendo Sandra Amorim e Fernanda Aprile Bilotta por Organizadoras. Paco Editorial. Maio de 2014.